EX POLICIAL GERSON RECEBERÁ PEDIDO DE DESCULPAS DO ESTADO POR SER PRESO INJUSTAMENTE

Gerson é Pitanguense, foi preso Injustamente, sua filha precisou se formar em Direito, atuar no Ministério Publico para ajudar a justica a fazer Justiça. 

Matéria publicada pelo Jornal Parana Centro.


Nesta quinta-feira, 15 de outubro, às 13h, o Fórum da Comarca de Pitanga sediará um ato público de reconhecimento de responsabilidade internacional, pedido formal de desculpas e assinatura de acordo para o cumprimento de recomendações dirigidas ao Estado brasileiro no caso do ex-policial militar Gerson Miluski Carvalho. 

A iniciativa é da Assessoria Especial de Assuntos Internacionais do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania e contará com a presença de autoridades estaduais que representam o Ministério Público, o Poder Judiciário, a Polícia Militar e outros órgãos.

A promotora Amanda Ribeiro dos Santos, que atuava em Pitanga, explicou que a cerimônia representa uma medida de reparação à família, após o reconhecimento de falhas no processo judicial que levou à condenação do ex-policial. 

O caso chegou ao Sistema Interamericano de Direitos Humanos depois que os familiares recorreram a diferentes medidas judiciais no Brasil para tentar rever a condenação.

“É um ato oficial do Estado brasileiro que envolve diversas autoridades e essas autoridades estarão aqui presentes para formalizar um pedido de desculpas à família do Gerson Miluski Carvalho. A ideia é reconhecer o erro judiciário que ocorreu, como uma das medidas de reparação à família”, afirmou a promotora.

Segundo Amanda dos Santos, a família buscou diferentes caminhos judiciais para demonstrar a inocência do ex-policial militar, que sempre contestou a condenação.

 Após o esgotamento das possibilidades de revisão no sistema nacional, o caso chegou à esfera internacional, onde foram analisados os procedimentos adotados durante a investigação e o julgamento.

A avaliação internacional apontou falhas na atuação do Estado brasileiro, tanto na investigação quanto na responsabilização de Gerson Carvalho. 

A partir desse entendimento, foram discutidas medidas de reparação, entre elas o pedido público de desculpas que será formalizado em Pitanga.

Para a promotora, a cerimônia também tem relevância para a comunidade, pois o caso marcou a história do município e envolve instituições responsáveis pela segurança e pela Justiça.

“Quando um cidadão de Pitanga é condenado injustamente, quando há um erro do Judiciário, toda a comunidade é afetada, porque naquela situação não houve justiça”, destacou Amanda dos Santos.

Ela ressaltou que as medidas de reparação devem considerar não apenas a situação vivida pelo ex-policial, mas também os impactos sobre seus familiares. Na avaliação da promotora, o reconhecimento oficial representa uma oportunidade de resgatar a honra de Gerson e de seus parentes, além de reafirmar a importância da busca por justiça diante de falhas institucionais.

“Quando os erros acontecem, medidas de reparação devem ser adotadas de maneira ampla, olhando a família do Gerson, ele próprio e a comunidade e a história de Pitanga”, acrescentou.

História da família

A filha de Gerson, Joyce Martins Carvalho, tinha dois anos quando o pai foi preso, em 1995. Segundo ela, ele tinha orgulho da profissão de policial militar e sempre procurou provar que não havia cometido o crime pelo qual foi condenado.

Hoje integrante do Ministério Público, Joyce relata que o pai foi preso e torturado por integrantes do grupo Águia, da Polícia Militar. 

Segundo ela, a acusação de homicídio teria sido sustentada pelo depoimento de outro policial, obtido durante as sessões de tortura.

Ao longo dos anos, Gerson escreveu cartas a diferentes órgãos e buscou apoio jurídico para tentar reverter a condenação. “Ele fez tudo o que pôde para demonstrar a inocência dele, vendeu tudo o que tinha para pagar advogado e tentava reverter de alguma forma a situação, mas nunca foi ouvido”, contou Joyce.

De acordo com a filha, o caso começou a avançar na esfera internacional após a nomeação de um defensor vinculado ao Sistema Interamericano de Direitos Humanos, que passou a analisar os documentos e os procedimentos do processo.

A família aguardou a avaliação até que as falhas fossem reconhecidas e o Estado brasileiro apresentasse uma proposta de acordo para a reparação.

Joyce afirma que o ato público não apaga os anos de sofrimento vividos pela família, mas representa um passo importante para o reconhecimento oficial do que aconteceu. 

Para ela, a cerimônia também simboliza a persistência do pai, que continuou buscando justiça mesmo depois de deixar a prisão.

“Agora, não apaga tudo o que aconteceu, mas começa a estabelecer uma justiça que ele sempre buscou”, afirmou. 

A história também influenciou a trajetória profissional de Joyce. Formada em Pedagogia, ela trabalhou como professora e conta que, desde criança, ajudava o pai a digitar documentos e preparar cartas para encaminhar às autoridades. 

A convivência com a busca pela revisão do processo despertou seu interesse pelo Direito e pelo funcionamento das instituições de Justiça.

Ela afirma que deseja contribuir para evitar que situações semelhantes se repitam e para que os procedimentos judiciais sejam conduzidos com atenção às provas e aos direitos das pessoas envolvidas.

Fonte: Jornal Paraná Centro.

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